Ao levantar-me todos os dias de manhã tenho o hábito de ir à minha estante de livros e tirar o que chamo “Livro do Dia”, abri-lo numa página qualquer e ler a mensagem dessa página.

O “Livro do Dia” é para mim A VOZ que preciso de ouvir nesse dia a dizer-me exatamente aquilo que necessito de interiorizar, meditar e lembrar-me durante todo o dia. São palavras que já as ouvi antes de uma forma ou de outra, mas que nesse dia são lembradas novamente para ajudar-me a estar mais focada, mais consciente, mais alerta e mais grata. É mais uma forma que encontrei de interiorizar aquilo que precisa ser interiorizado, de refletir sobre um determinado tema, cada vez com mais consciência. São palavras que lidas, ouvidas vezes sem conta, integram-se nas minhas células e tornam-se a minha verdade. Essas palavras refletem a minha VOZ INTERIOR que deseja falar comigo e que por vezes quando há ruído interno não consigo ouvi-la com clareza, discernimento e consciência. Então, ela usa os livros para falar comigo.

Hoje escolhi o livro “A Bússola Interior” de Álex Rovira Celma. Abri o livro sem escolher nenhuma página específica e fui levada a ler a página 118 que faz parte da Carta 20 do livro cujo título é: “Má sorte? Boa sorte? Quem sabe!” Tem uma frase escrita por baixo do Woody Allen que diz assim: “90 por cento do êxito baseia-se, simplesmente, em insistir”

O autor diz neste capítulo que se tivesse de escolher entre as frases, citações, poesias e orações preferidas, escolheria uma citação retirada do livro “O Convite” escrito por Oriah Mountain Dreamer, uma mulher canadiana conhecedora dos costumes e das crenças dos índios norte-americanos. É uma conversa do Eu (Ego) com o Verdadeiro Eu (Voz Interior/Eu Superior) E diz assim….

“Não me interessa saber como ganhas a vida. Quero saber o que anseias e se te atreves a sonhar com o que o teu coração deseja.

Não me interessa a tua idade. Quero saber se te arriscarias a parecer um louco por amor, pelos teus sonhos, pela aventura de estar vivo.

Não me interessa que planetas estão em quadratura com a tua Lua. Quero saber se chegaste ao fundo da tua própria tristeza, se as traições da vida te fizeram desbrochar ou se murchaste e te fechaste com medo de novas dores. Quero saber se poder viver com a dor, com a minha e com a tua, sem tratares de a dissimular, de a atenuar nem a remediar.

Quero saber se podes experimentar com plenitude a alegria, a minha e a tua, se podes dançar com frenesim e deixar que o êxtase te penetre até à ponta dos dedos dos pés e das mãos, sem que a tua prudência nos chame a ser cuidadosos, a ser realistas, a recordar as limitações próprias da nossa condição humana.

Não me interessa saber se o que me contas é verdade. Quero saber se podes desiludir outra pessoa para seres fiel a ti mesmo; se poderias suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma (…).

Quero saber se podes ver a beleza, ainda que não seja agradável, em cada dia, e se podes fazer com que a tua própria vida surja da sua presença.

Quero saber se podes viver com o fracasso, o teu e o meu, e de pé na margem do lago gritar à forma prateada da lua cheia: “Sim!”.

Não me interessa saber onde vives nem quanto dinheiro tens. Quero saber se te podes levantar depois de uma noite de aflição e desespero, esgotado e magoado até aos ossos, e fazer o que for preciso para alimentares os teus filhos.

Não me interessa saber quem conheces nem como é que chegaste até aqui. Quero saber se ficarás no centro do fogo comigo e não partirás.

Não me interessa saber onde nem como nem com quem estudaste. Quero saber o que te sustém, desde o interior, quando tudo o resto se desmorona.

Quero saber se podes estar só contigo e se em verdade aprecias a tua própria companhia em momentos de vazio.”