Cartas a Minha Filha

Acordei um dia a pensar: Como posso passar toda a minha sabedoria adquirida através da minha vivência, das minhas batalhas, dos meus sucessos, das minha derrotas…. como falar disto tudo com a minha filha de 6 anos? Ela não iria perceber nem metade do que dissesse. A linguagem não seria a mais adequada. Então pensei que se todas as crianças e adultos gostam de histórias porque não contar histórias a minha filha? Histórias da minha vida de forma a ela entender o que digo? Depois lembrei-me…..ela não sabe ler ainda. Bem… vou então escrever cartas para ela ler quando sentir vontade, quando tiver curiosidade em saber mais de onde ela veio, quem é e qual é o seu proposito de vida. Cartas para que quando ela atravessar fases desafiantes na sua vida as possa ler e entender que tudo esta bem, que tudo o que acontece é para um bem maior. Cartas para quando precisar do amor, compreensão, carinho, compaixão da mamá mesmo sem eu estar presente fisicamente ao seu lado, que ela me possa sentir. Que possa sentir todo o amor que tenho por ela, que possa entender que tudo o que faço é para o desenvolvimento humano mas acima disso espiritual dela, embora algumas vezes possa não parecer isso.

Comecei este ciclo de cartas com o primeiro tema: a Confiança.

“Filha,

Quero contar-te uma história sobre confiança. Tenho a noção que com os teus seis aninhos muitas das minhas palavras não são entendidas pois muitas vezes me disses: “Mamá, mas eu não percebi o que dizes-te!”. Por isso, vou contar-te uma história sobre confiança para que possas entender os ensinamentos que desejo passar-te. São simplesmente histórias da minha vida, experiências que a tua mãe viveu e que fez de mim quem eu sou hoje. Ensinamentos que considero tão importantes para que possas entender mais facilmente este caminho maravilhoso chamado VIDA. Normalmente, os adultos dizem: “Se eu soubesse o que sei hoje!” Por conseguinte, decidi escrever-te estas cartas em forma de histórias para que eu possa passar todo o meu testemunho e assim quando tiveres a idade certa (seja ela qual for), quando chegar a altura que tu entendas as minhas palavras, que elas possam iluminar o teu caminho e ajudar-te a tomar as decisões que tu consideres as mais acertadas para a tua plena felicidade.

 Hoje, decidi começar a falar sobre CONFIANÇA.

Lembras-te quando chegas-te a casa com uma caixinha de sapatos e três lagartas de bichos-da-seda dentro dela? Era uma das tarefas que tinhas que fazer no jardim-de-infância: observar o ciclo de vida do bicho-da-seda. Assistimos juntas ao ciclo, e agradeço-te por isso. Apreendi muito com ele.

No início tínhamos apenas que dar de comer às lagartas. Vou chamar este período de 1ª Fase. E elas só podiam comer folhas de amoreira e tinham de estar frescas, acabadas de colher. Também não podíamos mexer muito os bichos pois caso o fizéssemos eles não desenvolveriam e acabariam por morrer, como aconteceu com uma tua amiguinha da sala. Após este período de nutrição, as lagartas param de comer e começam a construir o seu casulo. Chamo a este período de 2ª Fase. Foi maravilhoso observar como o fizeram. Eram mesmo finos fios de seda a serem tecidos resultando num belíssimo casulo amarelo em forma de bolota. Dentro do casulo estava a lagarta. Aguardamos cerca de duas semanas até vermos um pequeno buraco no casulo e ter saído de lá uma borboleta – 3ª Fase. Essa borboleta pôs muitos ovos que nasceriam após um certo período de tempo. Depois de pôr os ovos a borboleta morre, finalizando assim o seu ciclo de vida – 4ª Fase.

Eu revi-me neste ciclo. Quando a lagarta está a alimentar-se, a nutrir-se para poder crescer e ser capaz de construir um casulo, ele come apenas folhas de amoreira. Ela precisa de nutrir-se só do que ela sabe e sente que é o melhor para ela. Ela irá alimentar-se só daquilo que a fará crescer, evoluir, para assim conquistar o seu objectivo.

Houve uma altura da minha vida Filha que me senti bastante em baixo. Senti-me perdida, senti um grande vazio dentro de mim e a ele juntou-se a dor e o sofrimento e nalguns casos o desespero bateu a porta.

Passei algumas semanas assim até que decidi por um fim a esse estado de dor e sofrimento. Não queria mais estar a sentir-me assim tão mal e procurei várias ferramentas que me pudessem ajudar a sair do buraco. E foi assim que reiniciei as minhas leituras, livros de auto-ajuda, de inspiração, de coragem. Livro sobretudo que falaram sobre como era extremamente importante, aliás, fundamental amar-se. Amar-te a ti pelo que és, tal como és. Vi também muitos filmes ligados à mesma área e participei em palestras, cursos e workshops variados. Todos eles ligados seja a técnicas de meditação seja ao autoconhecimento e amor-próprio: amar-nos primeiro antes de sermos capazes de amar os outros.

Comparo este período da minha vida com a 1ª Fase da lagarta. As vezes temos que parar e nutrir-nos apenas com o que sabemos e sentimos que é bom para nós e deixar as distracções e as ilusões de fora. É um período de crescimento espiritual, de evolução como SER humano que és.

Se por acaso, neste período nos deixarmos invadir quer seja por pensamentos negativos e destrutivos, quer seja por pessoas ou situações que nos irão sugar toda a nossa energia, sabes o que acontece?! O mesmo que aconteceu às lagartas da tua amiguinha: elas não crescem e acabam por morrer sem cumprir a sua missão. Por isso, temos de estar muito atentos para evitar distracções que possam desviar-nos da nossa missão e elevar o nosso estado de consciência para um patamar superior.

Após esta 1ª Fase senti que precisava de ficar sozinha. Precisava de assimilar todos os conhecimentos adquiridos e transformá-los em sabedoria. Como o Hermann Hesse disse no livro Siddhartha: “O conhecimento pode ser comunicado, mas a sabedoria não. Uma pessoa pode encontrá-la, vivê-la, ser fortificada por ela, operar maravilhas por seu intermédio, tudo menos comunicá-la e ensiná-la.”

Precisei de construir o meu casulo para dar inicio a minha metamorfose. Tirei 10 dias e fui para o Porto Santo. E como o próprio nome indica foi mesmo um lugar Santo, terapêutico onde muita da minha transformação tomou lugar. Esta foi a minha 2ª Fase.

Posso resumir nalgumas palavras o que vivi nesta 2ª Fase: paz, serenidade, calma, amor-próprio, auto-estima, auto-valorização e sobretudo CONFIANÇA. Confiança total mesmo sem saber o que se iria passar. Assim como a lagarta tece o seu casulo para dar lugar a metamorfose em borboleta, confiando plenamente na Lei Natural da Vida, no seu Ciclo de Vida, eu também apreendi a confiar. Julgo que a palavra mais importante vivida e sentida nesta fase foi Confiança. Acredita filha que não foi nada, mesmo nada fácil. Os adultos apreendem a querer controlar tudo e todos. Pensam que podem mandar e ordenar tentando em vão evitar os imprevistos e o desconhecido que lhes trazem desconforto, medo e insegurança. Mas, assim como não podemos comandar nas batidas do nosso coração também não podemos controlar a nossa vida. Temos que confiar que tudo está exactamente como deveria estar. Apreendi a confiar no presente e apenas no presente onde tudo pode ser criado. Não viver no passado com remorsos ou ressentimentos nem no futuro com ansiedades ou angústias.

Aprendi que todas as situações mesmo as mais dolorosas foram de extrema importância para minha evolução. Isto é uma frase típica que ouvimos dizer. Mas minha linda Filha, muitas vezes vamos ter que viver e sentir esta frase na pele. Descobri que o tempo é meu aliado, meu amigo que nunca me abandona e que me sussurra ao ouvido constantemente: “Isto também passará, confia!” Esta total aceitação das situações mesmo que na altura não as entendas é tão crucial, que embora eu tivesse lido muitos livros sobre isto, nada se compara com o facto de ter experienciado este conhecimento. Quando estamos a atravessar um período de desafio, como eu o atravessei, com alguma dor e sofrimento e umas pinceladas de desespero, o melhor é parar de lutar contra o acontecimento e aceita-lo. Acredita Filha que afirmar isto de coração aberto como o estou a fazer já me fez derramar litros de lágrimas. Esta entrega e confiança total no desconhecido, na incerteza, irá trazer-te muita Paz e ao seu tempo a GRAÇA. Como diz o Eckart Tolle no livro A Voz da Serenidade: “Mesmo na situação aparentemente mais inaceitável e dolorosa, oculta-se um bem mais profundo, e em qualquer infortúnio existe a semente da graça. A aceitação do inaceitável é a maior fonte de graça do mundo”

Lembras-te da 3ª e 4ª Fase? A borboleta sai do casulo, põe os ovos e morre. Bem, eu também saí do meu casulo e comecei a pôr os meus ovos e uma parte de mim a seguir morreu. Sabes uma coisa Filha? Temos que libertar o velho para dar lugar ao novo, para deixar entrar o novo. A minha metamorfose acarretou muitas mudanças e uma parte do que eu fui morreu e esses ovos postos são as sementes da graça que irão germinar quando chegar a altura certa. Sempre que experienciarmos um período de transformação, uma parte de nós morre para evoluirmos e subirmos um degrau acima no nosso caminho maravilhoso que é a VIDA.”

SUGESTÕES PRÁTICAS:

Como Cristaloterapeuta, aproveito esta história do Bicho da Seda para trabalhar a Confiança com o Cristal CORNALINA.

Durante este período toda a ajuda é bem-vinda, seja através de cursos, palestras, consultas ou mesmo leitura de livros. Mas também é de extrema importância cuidarmos de nós próprios e um método para fazermos isso é usar o poder dos Cristais.

A energia de fogo do Cristal Cornalina leva à ação e ao movimento, ensinando o poder pessoal no mundo físico. Ancora a atenção no momento presente para que se possa agir. Aumenta a coragem, a disposição, a auto-confiança e a determinação.

Deixo-vos duas dicas de como utilizar este cristal (podem usar as duas em simultâneo):

  1. Andar com uma Cornalina no bolso. Pode ser na calça, saia ou camisa. Caso não seja possível, então andar com o cristal na mala. A Cornalina irá emanar a sua energia no teu campo electromagnético e ajudar-te no aumento da tua Confiança através das suas características metafísicas.
  2. Fazer um elixir com o cristal. O que isso? É uma água energizada com o poder curativo da Cornalina. Como fazê-lo? Simples! Pega num jarro de vidro enche-o com água mineral. Coloca o Cristal Cornalina ao lado do jarro, encostado ao jarro. Não é preciso colocar o cristal dentro da água, até porque alguns cristais são tóxicos. A energia emanada do cristal vai penetrar na água e alterar o seu estado. Essa água ficará, assim, energizada com as propriedades da Cornalina. Bebe dois a três copos desta água por dia durante aproximadamente 1 a 2 semanas ou o tempo que julgues necessário para ajudar-te a ultrapassar períodos desafiantes no teu caminho.