Hoje acordei com a sensação de impotência, de não poder fazer nada, de ser meramente uma espectadora.

Estás a crescer, estás a tornar-te uma menina, a criança está a ficar para trás e com isso muitos desafios estão a acontecer.

Hoje chorei…. ver-te crescer, ver-te a tomar escolhas erradas, atitudes menos corretas, comportamentos desadequados….e não poder fazer nada para evitá-los. Fazer até faço mas tu me ouvires é que não. E isso deixa-me tão triste.

Observar as atitudes que levam ao sofrimento do teu corpo e da tua alma. Eu a tentar puxar por ti, a implorar-te que não o faças, a tentar demonstrar-te o quanto vais sofrer ao decidires seguir por aquele caminho….e tu continuares na mesma.

Penso que um dos papeis de ser mãe é entregar e confiar, não é?! Confiar que tudo está como deve estar, e que no fim tudo vai correr bem. Mas este é mais uma lição que me custa muito a aceitar.

Sabes eu quero proteger-te, quero cuidar-te…não quero que passes nem metade pelo que eu passei, pelo que vivi. Quero facilitar o teu caminho. Mas, lembro-me logo da 1ª carta que te escrevi a contar-te sobre a lagarta. É como se estivesse a ver-te dentro do casulo que a lagarta construiu. És como a lagarta a tentar sair do casulo. E eu fico a observa-te na tua tentativa, a ver-te falhar, a ver-te sofrer. Quero ajudar-te, quero rasgar o casulo para saias mais depressa e sem sofrimento. Mas se eu fizer isso, não vais aprender a viver assim como a lagarta, agora borboleta, não vai conseguir voar porque ela precisa desse esforço libertador para reforçar as suas asas e assim voar. Tu também precisas das lições da vida para aprender a “voar”! E o meu papel é apenas ver-te crescer, ver-te aprender, ver-te voar!

Chegou o momento de deixar para trás o “eu quero” por “eu te aceito” Chegou o momento de parar e pensar: “Eu quero tantas coisas para ti…e tu minha filha o que queres para ti?”  Chegou o momento de render-me a ti, de parar de querer mudar-te (melhorar-te) e aprender a aceitar-te. A aceitar que assim como eu, tu também vais errar porque é através dos erros que aprendemos. Aceitar que tu também, como ser humano que és, vais sofrer e que eu não o posso evitar.

Chegou o momento de mudar o meu papel de educadora para observadora…..um desafio maior do que eu alguma vez pensei.

Hoje ensinas-te-me uma lição….. rendição e aceitação. Lembras-te-me novamente o quão importante são estas duas palavras e o quão importante é aplica-las diariamente em tudo e em relação a tudo.

Espero minha filha, que um dia quando leres esta carta entendas o que senti e vivi dentro no meu coração.

 

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